Arman é um dos maiores representantes do Novo Realismo, uma corrente artística baseada na narrativa da humanidade através dos seus objetos quotidianos (sapatos, relógios de pulso, moedas, etc.). Dada a multiplicidade de técnicas que utilizou, Arman é considerado um pintor/escultor. Ele próprio definir-se-ia perfeitamente como “um pintor que faz escultura”. Tal como os objetos de Arman, as canetas tinteiro contam a história do homem através da criação de objetos do quotidiano, utilizando os conceitos de cortes múltiplos e acumulações que se cruzam constantemente nos três modelos.
Night & Day possui duas aberturas contínuas que conferem à caneta um aspeto exageradamente esculpido. Todo o mecanismo está praticamente em contacto com a mão de quem escreve, no que eu chamaria de um conceito de caneta muito “Arman”.
Trilogy resume o conceito das fatias e dos múltiplos, repetindo o padrão da fatia a cada 120 graus para gerar um múltiplo, simbolizando a acumulação e a repetição.
A terceira caneta, Doppler, sintetiza os dois conceitos e estende-os ao clip, cujo padrão é repetido tanto na tampa como no corpo, dando uma impressão de repetição obsessiva e constante. O objeto desta repetição é uma pena, símbolo de toda a gama Pineider e fetiche da escrita em sentido lato, cujo efeito doppler se estende do clip à tampa e ao corpo. O clip é uma pena esqueleto, onde os vazios e os cheios brincam com o estilo de Arman, sublinhando as proporções das penas para que cada caneta seja um objeto de escrita.








